quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Pergunto-me sobre o que terá acontecido para a recente emancipação feminina na Carris. Aos poucos tenho assistido a uma maior frequência das mulheres ao volante dos famosos carros amarelos de extensões alargadas. Tem-me agradado. Devo ter uma fantasia qualquer que me faz sentir agradado por as ver nessas caixinhas a lutar pela igualdade (ou até mesmo superioridade) daquilo de que são capazes, daquilo que têm tanto ou mais que aqueles que as denigram. Porém, confesso que não compreendo o fenómeno. Afinal, todos criticam estupidamente a condução das mulheres. São assim, são assado, não prestam. A bem dizer, nas mentes ainda muito sãs do tradicionalismo fascista da identidade, do género, da sexualidade, do ser, aquilo que sobra é tão só a mulher não poder ultrapassar o financiamento do homem, a mulher não dever deixar as criaturas pequeninas com o pai em circunstância alguma e sobretudo a mulher não poder ser melhor em qualquer outra coisa que não os lençois, que não o vale do prazer machista também ele presente nas mentes femeninas do mundo ainda de hoje. No entanto, acontece. Acontece e fere saber-me a entrar numa dessas caixinhas e as pessoas olharem de lado. Ainda haver quem olhe de lado. Ainda haver quem aponte o dedo. Ainda haver quem não entenda. Ainda haver quem não entenda que alguém entenda. Ainda haver o que há. Fere. Mas apraz sabê-las lá e sabê-las com a força de vontade para amparar os golpes da cidade, do Homem, do mundo, do tempo. Quando as vejo, o meu pára. Pára e saboreia-se a si mesmo. Ouvem-se os sorrisos da glória nas entrelinhas do que são, do que sentem, do que fizeram, do que as trouxe a evolução. Sim. Do que trouxe o tempo.
















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